Em uma viagem para a “querência” a nostalgia me bateu forte! Vi minha antiga casa de quando criança ainda era, vi a estância que me da ótimas recordações, tive lembranças de aniversários, festas de irmãos, caminhões de soja na garagem, futebol no campinho atrás de casa e amigos de tanto tempo mudados em todos sentidos.
Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato das coisas estarem mudadas, eu digo coisas no sentido material mesmo, notei o quanto as coisas necessitam adaptar-se à nova era, a pequena papelaria em frente ao meu antigo colégio de primeira série agora se tornou uma loja de material para escritório, pensei: “meu deus, eu entrava aqui pra comprar figurinhas, chicletes e coisinhas divertidas para dar susto nos coleguinhas, e agora só falta entrar ali para comprar coisas para meu escritório em que tenho que ir de terno e gravata todo santo dia”. Mas sabe que o que mais me impressionou foi o fato de o “tiozinho” que me vendia guloseimas e afins é o mesmo ainda atrás do balcão.
Continuando na percepção de mudança vamos atravessar a rua novamente e ver o colégio, minha nossa senhora, esse sim mudou, tinha uma quadrinha poliesportiva e um projeto de ginásio, e algumas freiras perambulando por aqueles corredores assustadores, sem falar do horrendo terceiro andar pelo qual se ouvia pianos sendo acariciados por mãos virgens de alguma freira. Freira esta que tocava musica clássica, e que pelo pouco, ou nenhum conhecimento musical que obtínhamos (pelo fato de criarem-nos ouvindo Xuxa e essas coisas sem noção). achavamos aqueles acordes que é preciso oito dedos em cada mão mais a ajuda da língua e do pé para serem feitos, monstruoso e pesados. Sem falar da corrida lenda dos espíritos do terceiro andar, e aquele medo infantil. Enfim, tudo isso citado acima agora é uma mega empresa, mantenedora de um quarteirão inteira de colégio, com algumas quadras, uns dois ou três ginásios, centenas de salas, milhares de freiras e não penso nem em imaginar quantos crucifixos há dentro daquela instituição. E as crianças que agora se tiverem medo de alguma coisa pegam seu celular(os mais afortunados materialmente puxariam seu I-phone) discam o famoso 190 ou o telefone da baba, ou dos pais, e pedem ajuda. Ou melhor vão até seu computador e digitam www.google.com.br e suas duvidas de como lidar com o problemas, estarão sanadas. Meu deus os tempos mudaram.
Minha casa, ai minha antiga casa, vocês não fazem idéia no que ela se tornou. Uma pizzaria, isso mesmo uma pizzaria que pela falta de imaginação do proprietário se chama Cia das pizzas, e o pior é que meu pai que continua nesta cidade é que aluga para o infeliz, e alem de tudo mora atrás da bendita pizzaria, se fosse eu mandava prende-lo, tinha que ser contra a lei não ter imaginação, ou usar de clichês tão tolos. Voltemos a casa, meu pátio, tão amado, o campinho que eu jogava minhas peladinhas e que me parecia tão grande agora não passa de uma graminha pela qual dou cinco passos e atravesso a mesma. Uma antiga arvorezinha que tinha o meu tamanho agora é umas quatro vezes maior que eu, o canil que abrigava meu cachorro somente nos momentos nescessarios agora prende um cachorro 24 horas por dia, 365 dias para cada infeliz ano daquele coitado. A garagem com o caminhão de soja, meu deus aquela garagem era enorme, afinal cabia um caminhão, imaginem o tamanho de um caminhão para uma criança, agora é a sala de estar de meu pai, juntamente com o antigo salão de festas, que é o seu quarto, escritório e banheiro. Portanto conseguem ver que ele “reformou”(isto não é sinônimo de que esta bom) e fez daquele pedaço de lazer da casa, sua residência? E as casas que se encontram envoltas à minha, nas quais havia sacadas abertas agora são fechadas, e as grades parecem dentes prontos pra estraçalharem qualqer um que resolver desafia-las, de um lado um escritório de advocacia chiquérrimo, (afinal quem não precisa de um advogado?) e a minha própria casa com as sacadas que tinha de vista para dentro do pátio se tornaram salas e algo mais na qual o inquilino resolveu transformar, mas o melhor de tudo que há nesta minha “nova” casa é a cozinha nova, sim eles construíram uma cozinha para trás, ou seja, dentro do meu amado pátio, e nesta há fornos de adivinhem o q? PIZZA, e se conseguissem ver a sujeira la pra trás não iriam querer experimentar nem um pedacinho, “ãi”, sem fala da cena horrenda que presenciei, duas mulheres sentadas, uma descascava batata e a outra cebola, a da cebola coitada, chorava, espirrava e com o famoso cofrinho de fora junto as cebolas, ahhh, mas elas estavam de toca higiênicas, abri um sorriso, mas neste momento o bolinha achegou-se na bacia de horti-fruti granjeiros descascados, e ouviu-se um “chôôôôô!”, o bolinha é o cachorro que vive dentro do pátio. O pior de tudo, não posso me deliciar com alguma destas pizzas, afinal, meu pai não pode comer pois nas suas palavras “da um nó nas tripa”.
Como as coisas mudam...